Folio VIII24 de julho de 20264 min
Você foi convencido que está doente
Não terceirize sua cura
Eu não sei se você já percebeu, mas existe um sistema inteiro que lucra com a sua exaustão.
Não estou falando de conspiração. Estou falando de algo mais silencioso e mais eficiente do que qualquer teoria.
Estou falando de uma indústria que aprendeu a transformar experiências humanas normais — tristeza, luto, cansaço, dúvida, medo — em diagnósticos. Que aprendeu a te convencer de que o que você sente é uma disfunção que precisa ser corrigida de fora para dentro.
E o mais sutil disso tudo? Ela funciona porque parte do que oferece é real. Às vezes a medicação ajuda. Às vezes o diagnóstico traz alívio. Não é sobre negar isso.
É sobre perceber a armadilha que existe dentro da lógica toda: quando você acredita que o problema está fora de você, você para de olhar para dentro.
E é exatamente aí que a cura começa a ser adiada.
E tem uma armadilha ainda mais sutil escondida aí.
Quando você nomeia o que sente como uma identidade — "eu sou ansioso(a)", "eu sou depressivo(a)" — você cria uma muleta emocional, e passa a se apoiar naquilo. E aí, em vez de tratar a causa, você gasta energia tratando o rótulo: mais um remédio, mais um conteúdo, mais uma ferramenta para lidar com "aquilo que você é" — e nunca chega no que realmente importa, que é olhar pra dentro e tratar o problema de dentro para fora.
E o mais curioso é que nem a ciência que sustenta esses rótulos é tão sólida quanto parece.
Em 2008, um psicólogo de Harvard, Irving Kirsch, publicou um estudo sobre antidepressivos. Resultado: a cada 8 pessoas tratadas, apenas 1 respondia ao medicamento além do efeito placebo. As outras 7 estavam expostas aos efeitos colaterais — sem o benefício real. Dez anos depois, em 2018, o estudo foi refeito com dados de mais de 73 mil pacientes. O resultado foi o mesmo: a diferença entre o efeito real do medicamento e o placebo era mínima.
E mesmo assim, milhares de receitas continuam sendo prescritas todos os dias.
Não estou te dizendo isso para você duvidar do seu tratamento ou parar de tomar o que te faz bem — às vezes o remédio é necessário, e isso não é fraqueza.
O que eu quero dizer, é que a pergunta que realmente importa não é "qual remédio vai me consertar", mas sim: eu já parei pra entender de onde vem o que estou sentindo?
Estou te dizendo para você não terceirize a sua cura.
Nenhum sistema vai fazer por você o que só você pode fazer: parar, respirar, olhar para dentro, e perguntar honestamente — “o que eu realmente estou sentindo?”; “De onde isso vem?”; “O que essa dor está tentando me mostrar?”.
- Como fazer isso na prática
Na próxima vez que você sentir algo difícil — ansiedade, tristeza, irritação, vazio — antes de buscar qualquer alívio imediato, faz isso:
Para. Respira devagar e profundamente. E se pergunte: “O que esse sentimento está querendo me dizer?”
Seu corpo vai te dar a resposta. Você só precisa ouvir.
Esse gesto, repetido com constância, é o começo de uma relação diferente com você mesmo. Uma relação onde você não é o problema a ser resolvido — mas a consciência capaz de se compreender.
Bárbara — Nehora 🌿